Postagens

Kali

Aumento o meu vocabulário vasculhando universos ao meu redor, conecto mentalmente tudo que há entre o grão de areia sob meus pés e a estrela mais distante. Uso, finjo que quero saber tudo sobre ela, a vida, como se ela fosse uma mulher e eu um homem faminto. Uma porcentagem da minha curiosidade transmuta tudo que absorvo de fora em argumento para os meus próximos sonhos imorais, um quinhão é para cumprir um ritual mitológico pessoal que criei com o mero intuito que sabotar o arraste do tempo. Com o bagaço simbólico que resta eu tenho montado relicários em meu peito, observatórios na minha fronte, púlpitos na minha garganta...  Um dia desses eu usei o que me restou das últimas lembranças do corpo dele e do som dos meus gemidos como matéria de uma ponte que eu ainda não sei em que vácuo das minhas vísceras alocar e nem sua origem e destino. Através dos meus olhos passei a minha vida vendo pessoas que gastaram muitas estações angariando coisas, as perderem com um simples vento, amores...

Assertiva

  Eu sempre fui direta, a sinceridade está nas minhas entranhas. A raiva e o desequilíbrio já estiveram um dia nesta receita, não estão mais, e considero isso tanto a minha maior conquista quanto o motivo da minha existência. Eu sempre tive um relacionamento estreito com as minhas próprias emoções e com a PALAVRA enquanto expressão em diversos contextos. Essa combinação e o tempo fizeram de mim uma pessoa assertiva. Completamente acessível para qualquer tipo de diálogo e tudo que chega a mim através deste, por pior que seja, é sempre muito bem recebido. Não suporto diálogos prolixos, não suporto mensagens que chegam até mim distorcidas ou truncadas por terceiros, não suporto situações mal resolvidas, não suporto comunicações através de gestos que soem como castigo, deboche ou redução. Acolho sem distinção ou julgamento à todos que por algum motivo vierem falar diretamente comigo, ouço tudo, acato o que acho justo ou conveniente e falo só o necessário para ser compreendida, sempre ...

Entropia

  Eu o sinto tal qual o fenômeno que culmina na lava dos vulcões! Mas não falo de uma força qualquer Falo é de forja de corpos e de corações: Do corpo de um homem, da alma de uma mulher. Por hora é apenas incandescência Já é realidade alterada Caos e entropia à parte da Ciência é mente tão desordenada que não sei quem fui um dia Ponto de mutação: Explosão de desejos em versos prazer em expansão... ontem presa à coerências: hoje criadora de universos com a matéria de suas indecências

Líquida, graças a Bauman

  O que ensinaram para os homens da minha geração é que algumas mulheres são para comer, outras para casar. Os cinquentões caçoam da Modernidade Líquida de Bauman sem olhar para o próprio rabo. Se gabam por terem sido a última geração que valorizou a família, mesmo que para manter essa ilusão tenham tornado seus filhos moralistas, infelizes e na maior parte do tempo misóginos, portadores de contratos não verbais de relacionamentos descabidos. Propostas relacionais com cardinalidade de um para muitas, na qual para os homens tudo é permitido e paras as mulheres tudo é feio. Era fácil manter um relacionamento por anos quando a hipocrisia era isolada por um mundo sem câmeras, sem vigilâncias. Hoje, que todas máscaras caem em tempo record, vamos culpar o intelecto dos jovens por sua fluidez? Vamos culpar uma geração que constata que existe uma infinidade de coisas entre ser apenas um lance na vida de alguém e ter um relacionamento convencional? A maior variedade amorosa que estamos viv...

Seria Instinto?

  Já tive diversas experiências que busquei explicações em doutrinas ou religiões, nenhuma me respondeu. O principal que eu aprendi, dentro da minha caminhada de buscas de respostas através de paixões que tenho por Allan Kardec, Jung e por outros que considero sobre humanos, como por Van Gogh... foi que a experiência da vida pede que façamos perguntas para nós mesmos. Eu não preciso compartilhar as minhas crenças com NINGUÉM, elas tem o propósito de aprimorar a mim mesma como ser humano, e por isso, as respostas que a vida me deu, só cabem a mim. Eu acredito que fui educada com tanta abertura em aspectos sobre a espiritualidade, que eu me tornei uma antena, alguém muito aberto para experiências cujas respostas ainda não existem. Certeza: essas respostas ainda vão existir. Quando a minha mãe me aproximou de um mundo espiritual, na verdade ela me abriu para o meu lado animal. Todas as explicações que um dia eu fui ensinada a atribuir a causa a fenômenos espirituais, eu atribuo aos...

Amor Insurgente

  Só quero se for irremediável porém não urgente. Quero a aparência de um lago plácido que esconde nas profundezas um caos insurgente Quero me sentir um anjo que dorme com demônios Tendo como estímulo a força das minhas ideias e não só o desespero dos meus hormônios e que após eu trancar na vigília os meus pesadelos eu consiga anistiar ao amor que torturou meus sonhos

Diálogo com Eros

  Eu disse pra Eros que não quero nunca mais um amor substantivo, o termo pede pronomes indefinidos, desfalece nos possessivos, renasce nos pleonasmos, cresce nas hipérboles, se mantém nas redundâncias, ele despreza as rimas, se perde no concretismo, se encontra distribuído pelos símbolos do surrealismo, o termo grita pra ser incompreendido e implora que paremos de tentar interpretar os seus textos! Eros me respondeu que ele mesmo sempre rodopiou pelo mundo tentando encontrar seu próprio significado. O coitado disse que não encontra a si próprio. Eros me contou que se desespera como nós nos desesperamos, quando usamos o seu nome em vão e lhe atribuimos a culpa todas as vezes que sentimos coisas inexplicáveis. Por fim me confessou que odeia os idiomas! Até o latim e as línguas mortas. Ele alega que a fala consciente sempre será incompetente. Me confessou que gosta é de ser entoado como um demônio e caso contrário ele chora em um canto escuro como um pobre diabo. "Eu mato a litera...