Diálogo com Eros
Eu disse pra Eros que não quero nunca mais um amor substantivo, o termo pede pronomes indefinidos, desfalece nos possessivos, renasce nos pleonasmos, cresce nas hipérboles, se mantém nas redundâncias, ele despreza as rimas, se perde no concretismo, se encontra distribuído pelos símbolos do surrealismo, o termo grita pra ser incompreendido e implora que paremos de tentar interpretar os seus textos!
O coitado disse que não encontra a si próprio.
Eros me contou que se desespera como nós nos desesperamos, quando usamos o seu nome em vão e lhe atribuimos a culpa todas as vezes que sentimos coisas inexplicáveis.
Por fim me confessou que odeia os idiomas! Até o latim e as línguas mortas.
Ele alega que a fala consciente sempre será incompetente.
Me confessou que gosta é de ser entoado como um demônio e caso contrário ele chora em um canto escuro como um pobre diabo.
"Eu mato a literalidade do mundo, eu me revelo só em metáforas."
"Eu posso ser tão simples que fodo a alma dos vocabulários castiços."
"Eu destruo versos e frases feitas:
Começo diálogos com sibilos
Negocio com Sussurros
Respondo com gemidos
Encerro o assunto com gritos agudos
Fujo da garganta em torpores graves...."
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