Crisálida
Envolta em seda, eu ainda não tenho a capacidade de avaliar em que vão se transformar os resquícios que ele me deixou.
Aos poucos eles estão deixando de
se assemelhar a minúsculos estilhaços que de horas em horas, enceram o meu
coração de vermelho até o matte, embrulham levemente o meu estômago para que eu
expulse o pouco mal que aquilo que eu sinto produz.
Não há lembranças ruins ao meu
redor, há uma saudade de cores quentes com tendência ao empalidecimento.
Apesar de parecer uma alquimia de
sofrimento em direção a um aprendizado, está sendo um processo ágil, não só pela
brevidade do amor que foi gatilho desta imersão, mas também por não haver
inclusão de componentes inóspitos na receita que escrevemos.
Sem dúvidas a minha larga
experiência nesta magia de dissolução de uma paixão, faz com tudo que senti décadas
atrás se pareça com a deglutição de um ouriço, perante essa sensação de sonho
com uma pena levada por um rio corrente.
Eu suporto o difícil do processo imaginando
que o meu peito é uma forja e os metais
que nós dois geramos estão se transformando em algo ao meu favor.
Ninguém consegue perceber o que
está fora de si sem interferências de seu interior, então é muito importante
que eu rasgue essa crisálida só quando o que restar em mim, de nós, for apenas luz.
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