Meu latido

 Escrevo, mas hoje sei que não é por que o senso me contenta.

Escrevo por ser um ato que de alguma forma legitima a minha existência.
Não me serve como registro de porra nenhuma, não me presta para emocionar, documentar a minha passagem ou sequer entreter provocando lágrimas, risos, ódios ou orgasmos.
O sentido das coisas não me apetece, assim como o veredicto de que a possibilidade da minha própria ideia possa alcançar uma unanimidade, me boçaliza.
Estou descobrindo a minha falta de estilo, atestando que minha expressão não passa de uma onomatopéia, a humana, e que ela não é mais potente que um sibilo, um miado, um latido ou qualquer grunhido que existe, esses sim, comprovam hoje para mim, que é no mais puro instinto que a existência se revela como potência sagrada.
Portanto, se ninguém me leu, ou leu e não entendeu nada, atingi plenamente o meu objetivo pois a mim pertence o meu destino..
1 minuto mesmo que silencioso de suas verdades, reverbera infinitamente mais do que suas máscaras dependentes de validação.

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