Aos Inadequados

 Reli algumas vezes o que eu escrevi por um tempo e chamava de filosofia, me sinto ridícula quando releio: Um aglomerado de ideias sem filiação histórica, então eu resolvi falar só para os inadequados, só para aqueles os quais eu não preciso florear a minha desconjuntura.

A inadequação na maioria das vezes me faz esconder as minhas ideias mesmo quando eu escrevo sobre elas, eu já tive esse tipo de desgaste que um dia achei se resumia à presunção de minha parte... mas nem presunção era, era uma espécie de eutanásia de "eu já morta", pois eutanásia de quem está morto é insistir em viver.
Tudo que vem à seguir é pesado, torto e está agregado ao lado negativo da quase inocente dualidade que o homem atribuiu à vida...
Ás vezes para mim tudo parece tão vazio e sem sentido que até atos destrutivos são inúteis. Na maioria das vezes as temporadas de silêncio e solidão, é a droga que há no momento.
Não é apenas o tempo, que parece não ser "o meu tempo". É loucura pior, "é não tempo e não espaço", é imaginar o primeiro homem que marcou as mãos em uma caverna e ter a sensação de que a gente não deveria ter saído de lá, não que lá fosse melhor ou pior...É que me sinto e vejo a vida como se ela fosse um cidadão correndo parado em uma esteira.
Juro não sei por quem, mas eu respeito até ação das águas sobre as pedras que com o tempo se desgastam e talvez seja apenas esse desgaste que deveria receber o nome de "lapidação" da vida, e não a nossa vã tentativa de ser ou alcançar algo melhor, paisagens e discursos apontam contra essa intenção, sociedades apontam esse demérito.
A pergunta que mais ecoa nos pensamentos, é "para que?", em segundo lugar "por que".
Eu tenho guardado um texto do meu pai sobre "o fundo do poço", é um texto carregado de angústia mas não entra nos afluentes da "dor", contando com a possibilidade dessa angústia ter chegado até mim através do sangue dos meus pais, estou cumprindo o meu papel de aprimorar a expressão da inadequação, arrumar a cama para que ela apenas tenha algum direito sustentável de viver em paz.
Obs: Eu saio nas ruas rindo por dentro vendo todos e todas como primatas repletos de vaidades e penduricalhos.
Na maioria dos dias eu oscilo entre relembrar dores, gargalhar por dentro e quase vomitar perante as palavras sucesso, beleza, meta, foco, resiliência e qualquer outra que mantenha as vigas da tragédia que chamam de capitalismo, em pé.
É ignorar o capitalismo, o que veio antes dele e que merda virá depois.

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